Minha análise sobre as 10 Tendências do MIT para 2026
Quais fronteiras estão sendo quebradas, quais são as empresas e o que isso significa para empresas e para a sociedade.
Essa newsletter é para assinantes da Comunidade Moovers. Escrita pela Futurista e Diretora Executiva da Moovers Monica Magalhaes, que compartilha insigths, reflexões e análise de tendências em tecnologias emergentes.
Hello moovers! Monica Magalhaes por aqui 👋🏼
A newsletter está de volta!
E o motivo da pausa em Janeiro nem foram as férias. Substimei o tempo para escrita do livro. Achei que um mês de dedicação seria suficiente, mas o processo durou três meses e fato é que toda minha energia de escrita foi canalizada para outro projeto. Tem gente que começa a escrever um livro já sabendo exatamente onde quer chegar. Junta toda a experiência de vida, organiza as ideias, constrói uma narrativa e canaliza tudo em páginas.
Eu não fui essa pessoa. Eu só tinha a certeza de que havia algo que precisava ser dito. O quê, exatamente, eu descobri no meio do caminho.
Eu tenho hiperfoco. Então foram três meses de imersão quase total. Três meses sem cafés com os amigos, sem almoços, encontros de Natal e aniversarios passaram sem minha presença.
Toda a minha energia criativa, emocional e física, foi canalizada para um único lugar: a escrita do livro. E ele drenou tudo.
Nunca fiz nada tão difícil. Foi tempo e presença. Exige enfrentar dúvidas, revisitar memórias, aprender a sustentar ideias ainda frágeis, aceitar os dias em que nada flui e outros em que tudo vem de uma vez.
Qual o propósito de escrever um livro? Alguns procuram fama num bestseller, outros buscam trabalho, tem quem espera a admiração da familia e reconhecimento dos amigos. Independente da motivacao, uma coisa é certa, todos encontram a si mesmos ao longo do caminho.
Nunca senti tanto orgulho de único projeto. E isso, por si só, já fez tudo valer a pena.
10 Tendências Tecnológicas para 2026
Ele chegou!
Preciso admitir que todos os anos fico ansiosa esperando o lançamento do relatório anual do MIT.
De todas as empresas que acompanham evolução tecnológica, o MIT se destaca pra mim por ser uma instituição acadêmica que apresenta mais ciência de fronteira. Inovações e idéias mais disruptivas à longo prazo, o que para futuristas isso é um banquete. :))))
Não é pé no chão, e nem tem a intenção de ser. É visionário.
Quem quer report com trends pé no chão tem que ler Gartner, NTT, Deloitte e McKinsey. Que apresentam conceitos novos, as vezes complexos de compreender, mas são tendências mais próximas do agora.
Eles não falam apenas de ideias abstratas, eles mostram tecnologias que acabaram de sair do papel e se tornaram produtos e serviços reais, quebrando barreiras e chegando ao mercado com enorme potencial de transformar nossas vidas. É sempre uma leitura inspiradora que vale a pena acompanhar.
Olhando para o report do MIT deste ano, que também reflete muito das demais casas de Foresight, conseguimos visualizar alguns padrões nos movimentos gerais de evolução da tecnologia.
Primeiro, o amadurecimento da IA, uma clara transição entre experimentação (Agentes) para sistemas robustos (Plataformas de Agentes), confiáveis e integrados em produtos e serviços do dia a dia, com infraestrutura massiva e aplicações práticas cada vez mais sofisticadas. Segundo, a ampliação do espaço para biotecnologia, com avanços em edição genética, terapias personalizadas e manipulação do DNA que estão saindo dos laboratórios e chegando a tratamentos reais que salvam vidas. E terceiro, a aceleração da transformação energética, impulsionada ironicamente pela própria corrida de IA, a demanda enorme por energia dos centros de dados está forçando inovações em energia nuclear, baterias alternativas e fontes renováveis, acelerando uma transição que, de outra forma, poderia levar décadas.
A seguir, vou listar as 10 tecnologias de fronteira identificadas pelo MIT, cada uma com meus comentários sobre por que são importantes e como podem impactar nosso futuro. Também trago os links para que você possa conhecer quais são as empresas que estão inovando nessas soluções. Vale abrir checar seu pitch e a forma como comunicam esses novos produtos e serviços. A gente acaba captando muito do espítito do tempo apenas observação como essas empresas disruptivas apresentar a percepção de valor dos seus produtos para a sociedade.
Essas tecnologias não são apenas conceitos teóricos, são inovações que já estão saindo dos laboratórios e chegando ao mercado, com potencial real de transformar a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos com o mundo ao nosso redor. Então, sem preguiça, se debruce sob essa leitura com calma e aproveita pra extrapolar sua visão de futuro à partir de cada uma delas.
1. IA em Hiperescala
Enormes instalações de supercomputadores estão sendo construídas para treinar modelos de IA em escala massiva. Esses centros agrupam centenas de milhares de chips GPU (como os H100s da Nvidia projetados para treinar e executar modelos de IA em larga escala) conectados por milhares de quilômetros de cabos de fibra óptica.
Empresas como OpenAI, Google, Amazon, Microsoft e Meta estão investindo centenas de bilhões de dólares nesse tipo de infraestrutura. O custo é significativo: os maiores centros consomem mais de um gigawatt de eletricidade (suficiente para abastecer cidades inteiras), sendo mais da metade proveniente de combustíveis fósseis, o que agrava as mudanças climáticas e contradiz os esforços globais de transição para energia limpa.
Nesse contexto, a China está em clara vantagem estratégica. O país tem feito investimentos maciços em energia limpa, incluindo solar, eólica e nuclear de próxima geração, para sustentar sua infraestrutura tecnológica.
Enquanto isso, no restante do mundo, algumas empresas estão recorrendo à energia nuclear, enquanto o Google sonha com centros de dados solares no espaço. Mas a realidade para muitas comunidades que hospedam essas instalações é menos glamourosa: elas enfrentam contas de energia elevadas, escassez de água, ruído constante e poluição do ar.
2. Baterias de Íon de Sódio
O lítio impulsionou a revolução dos veículos elétricos e do armazenamento de energia renovável nas últimas duas décadas. Porém, sua extração é geograficamente concentrada, ambientalmente custosa e geopoliticamente estratégica, criando vulnerabilidades na cadeia de suprimentos global. Além disso, os preços voláteis e as preocupações com disponibilidade futura têm impulsionado a busca por alternativas.
As baterias de íon de sódio aparecem como alternativa promissora. São mais baratas, seguras e abundantes que o lítio. O sódio é encontrado em toda parte, ao contrário do lítio, que é escasso e extraído em poucos países. A China lidera essa revolução, com gigantes como CATL e BYD investindo pesadamente. A CATL lançou sua linha Naxtra em 2025 e já iniciou produção em escala. O impacto mais significativo pode ser no armazenamento de energia limpa gerada por solar e eólica. Embora a densidade energética ainda seja menor que as baterias de lítio de alta qualidade, ela continua melhorando a cada ano e já é suficiente para carros pequenos e veículos de logística.
Essa tendência faz todo sentido quando olhamos para o panorama energético atual. A geração de energia sustentável, especialmente solar e eólica, já está madura e em franca aceleração em todo o mundo. Os custos dessas tecnologias caíram drasticamente nas últimas décadas, tornando-as competitivas ou até mais baratas que combustíveis fósseis em muitas regiões.
O próximo grande desafio, portanto, não é mais gerar energia limpa, mas sim armazená-la de forma viável e em larga escala. Solar e eólica são intermitentes por natureza, não é todo dia que venta ou faz sol. Para que essas fontes possam realmente substituir combustíveis fósseis e sustentar nossa crescente demanda energética (incluindo a dos enormes data centers de IA), precisamos de soluções robustas de armazenamento.
É aqui que as baterias de íon de sódio entram como uma peça fundamental do quebra-cabeça. Elas oferecem uma alternativa economicamente viável e escalável para armazenar a energia renovável gerada durante períodos de pico de produção, disponibilizando-a quando a demanda é alta mas a geração é baixa. Sem soluções eficientes de armazenamento, a transição completa para energia limpa simplesmente não é possível na escala necessária.
3. Bebês Editados
Esse é um destaque de Biotech.
Apesar da edição genética não ser algo novo, em 2025 tivemos um caso interessante no Children’s Hospital of Pennsylvania, que mostrou que a tecnologia avançou. Um bebê, nomeado de KJ, foi o primeiro a receber um tratamento de edição genética personalizado. Nascido com um distúrbio genético raro que impedia seu corpo de remover amônia tóxica do sangue, KJ recebeu uma terapia desenvolvida especificamente para ele usando base-editing, uma forma de CRISPR que corrige “erros ortográficos” genéticos alterando bases individuais do DNA.
Antes, bebês com esse tipo de distúrbio genético raro tinham uma única alternativa: o transplante de fígado, um procedimento complexo, com riscos significativos e listas de espera que podiam durar meses ou anos. Agora, com o base-editing, foi possível criar uma terapia genética personalizada especificamente para KJ, corrigindo o “erro” diretamente em seu DNA.
Esse caso abre possibilidades extraordinárias para o futuro da medicina. Estamos caminhando para uma era onde doenças genéticas raras, que antes eram praticamente incuráveis ou tratáveis apenas com procedimentos extremamente invasivos, poderão ser corrigidas de forma personalizada e cada vez mais acessível. À medida que os custos caem e os processos de aprovação se tornam mais ágeis, podemos imaginar um futuro onde milhares de distúrbios genéticos únicos recebam tratamentos feitos sob medida.
O tratamento custou cerca de US$ 1 milhão (similar a um transplante de fígado), mas espera-se que caia para algumas centenas de milhares de dólares nos próximos anos. Hoje, KJ está bem e atingindo todos os marcos de desenvolvimento.
A FDA está desenvolvendo um novo processo de aprovação para terapias personalizadas que poderia envolver apenas cinco pacientes com pelo menos três variantes genéticas.
4. Entendendo como a IA funciona
Novas técnicas estão ajudando os pesquisadores a entender melhor como os modelos de IA funcionam por dentro. Centenas de milhões de pessoas usam chatbots diariamente, mas os modelos de linguagem que os alimentam são tão complicados que ninguém realmente entende como funcionam, nem mesmo quem os constrói.
Essa trend mapeada pelo MIT tem um nome esquisito: interpretabilidade mecanística, em termos mais simples, essa tecnologia permite que cientistas “olhem dentro” da IA para entender como ela chega às suas respostas.
É como ter um mapa do cérebro da IA, mostrando qual caminho o pensamento percorre desde a pergunta até a resposta final.
Em 2024, a Anthropic construiu uma espécie de microscópio que permite aos pesquisadores olhar dentro do Claude e identificar recursos correspondentes a conceitos reconhecíveis. Em 2025, a Anthropic revelou sequências inteiras de recursos, rastreando o caminho que um modelo percorre do prompt à resposta.
Outras empresas também estão fazendo progressos significativos nessa área. O Google DeepMind e a OpenAI estão usando técnicas semelhantes para tentar explicar comportamentos inesperados de seus modelos, como quando parecem tentar enganar as pessoas. A OpenAI usou monitoramento chain-of-thought para flagrar um de seus modelos de raciocínio trapaceando em testes de programação. A Neuronpedia, uma iniciativa de código aberto, está criando uma espécie de enciclopédia dos neurônios artificiais, permitindo que qualquer pessoa explore e entenda os padrões internos dos modelos de IA.
Essa técnica é especialmente útil para entender como modelos de raciocínio chegam às suas respostas, tornando o processo de pensamento da IA mais transparente. Isso faz com que essas ferramentas sejam mais seguras e confiáveis para usos críticos como diagnósticos médicos, decisões financeiras ou sistemas autônomos.
5. Energia Nuclear de Próxima Geração
Essa é a segunda trend com energia que o MIT traz. Os reatores nucleares convencionais são enormes, caros e complexos de construir, exigindo décadas de planejamento e bilhões de dólares em investimento. Essas usinas gigantescas, embora eficientes para alimentar cidades inteiras, apresentam desafios: riscos de segurança elevados, custos proibitivos, tempos de construção extremamente longos.
A nova geração de reatores nucleares está revolucionando esse cenário ao usar materiais inovadores e designs compactos que tornam a energia nuclear mais segura e acessível. Enquanto reatores convencionais têm capacidade para alimentar uma cidade inteira, algumas empresas estão desenvolvendo microrreatores modulares que gerariam menos de 0,1% da energia dos designs tradicionais, mas podem ser fabricados em série e instalados rapidamente.
Essa mudança traz benefícios incríveis para empresas e sociedade. Em 2024, a Kairos Power ganhou a primeira aprovação nos EUA para começar a construção de um reator de sal fundido chamado Hermes 2, marcando o início de uma nova era.
Para empresas, especialmente aquelas que operam data centers de IA ou indústrias que demandam energia constante, esses reatores modulares representam uma fonte de energia limpa. Para a sociedade, significam uma alternativa viável aos combustíveis fósseis, com menor impacto ambiental e maior segurança. A grande questão é se essas tecnologias podem escalar rapidamente o suficiente para atender à crescente demanda energética global.
6. Score de Embriões
Essa é uma das trends mais disruptivas trazidas pelo MIT.
Antes, as famílias lidavam com doenças genéticas de forma limitada. No Brasil, por exemplo, o teste do pezinho é feito em todos os recém-nascidos e identifica várias doenças genéticas importantes, como fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito e anemia falciforme. Porém, esses testes tradicionais conseguem identificar apenas distúrbios causados por mutações em genes únicos.
Para casais que faziam fertilização in vitro, a possibilidade de selecionar embriões baseava-se principalmente em características nos cromossomos, sem acesso a informações mais detalhadas sobre riscos de saúde complexos. O grande desafio era a impossibilidade de avaliar características poligênicas, aquelas que dependem da interação de centenas ou milhares de genes diferentes. Isso deixava as famílias sem informações importantes sobre predisposições a condições como diabetes, doenças cardíacas, ou até mesmo características como altura, que poderiam influenciar decisões reprodutivas.
Agora, os testes genéticos evoluíram. Algumas startups estão oferecendo PGTP (teste genético pré-implantação para distúrbios poligênicos) que avaliam características que surgem de interações entre centenas ou milhares de variantes genéticas. O score de risco poligênico oferece probabilidades estatísticas sobre características que um embrião pode desenvolver, como predisposição a certas doenças, altura, ou até QI.
Para as empresas de biotecnologia e clínicas de fertilidade, essa tendência representa uma oportunidade de oferecer serviços mais personalizados e informados, expandindo o mercado de medicina reprodutiva. Empresas como Genomic Prediction, Orchid, Herasight e Nucleus Genomics estão comercializando esses testes, que podem custar até US$ 50.000, e já estão disponíveis em mais de 100 clínicas de fertilidade nos EUA.
Para a sociedade, os benefícios potenciais incluem a redução da incidência de doenças genéticas graves e a possibilidade de escolhas reprodutivas mais informadas. No entanto, a prática é extremamente controversa, com críticos alertando sobre riscos de eugenia, desigualdade de acesso e questionando a utilidade clínica real desses rankings, especialmente quando aplicados a características não relacionadas à saúde.
7. Companheiros de IA
Embora não seja a primeira vez que lemos sobre AI Companions, entendo por que o MIT trouxe esse tópico nas suas tendências do ano. Uma coisa é ouvir falar sobre casos de humanos se casando com IAs lá no Japão, e outras culturas afastadas se relacionando com IA. Num primeiro momento, a sociedade acha esquisito e todo mundo comenta. Mas outro momento é quando esse comportamento se torna mainstream porque já se integrou no tecido social. É disso que a MIT fala.
Segundo um estudo da Common Sense Media, 72% dos adolescentes dos EUA já usaram IA para companheirismo. Embora alguns modelos de linguagem sejam projetados especificamente como companheiros, as pessoas estão cada vez mais buscando relacionamentos até com modelos de propósito geral como o ChatGPT.
Para empresas de tecnologia, essa tendência representa uma oportunidade significativa de desenvolver produtos que ofereçam suporte emocional acessível e disponível 24/7, expandindo o mercado de saúde mental digital. Para a sociedade, os benefícios potenciais incluem maior acesso a suporte emocional, especialmente para pessoas que enfrentam barreiras para buscar ajuda humana.
No entanto, essa tecnologia traz riscos sérios que não podem ser ignorados. Enquanto chatbots podem fornecer suporte emocional necessário para algumas pessoas, eles podem exacerbar problemas subjacentes em outras. Conversas com chatbots foram ligadas a delírios induzidos por IA e crenças falsas perigosamente reforçadas. Famílias estão processando OpenAI e Character.AI alegando que o comportamento de companhia de seus modelos contribuiu para suicídios de dois adolescentes.
Estamos começando a ver esforços para regular companheiros de IA, com a Califórnia aprovando regras para forçar empresas de IA a divulgar o que estão fazendo para manter os usuários seguros. O desafio é encontrar o equilíbrio entre os benefícios de acessibilidade e os riscos à saúde mental, especialmente entre populações vulneráveis como adolescentes.
8. Ressurreição Genética
Essa é mais uma trend de biotech. Vou explicar como funciona e suas implicações pra sociedade.
Atualmente, quando uma espécie é extinta ou quando genes importantes são perdidos ao longo da evolução, essa informação genética desaparece para sempre. O grande desafio é a impossibilidade de acessar e utilizar informações genéticas valiosas que são perdidas no tempo. Espécies em risco de extinção têm cada vez menos variedade genética, o que diminui suas chances de sobreviver. Outro exemplo são as plantas e animais antigos que poderiam ter características úteis para enfrentar mudanças climáticas.
Agora, graças à edição de genes e à clonagem, cientistas conseguem recuperar DNA antigo. Eles estudam o material genético encontrado em fósseis e restos de animais extintos, e depois recriam essas características em animais vivos hoje. Nos últimos anos, os cientistas conseguiram mapear o DNA de várias criaturas extintas.
Para empresas de biotecnologia e farmacêuticas isso representa uma oportunidade de desenvolver novos medicamentos estudando enzimas e proteínas antigas. Por exemplo, pesquisadores da Georgia State University estudaram uma enzima que humanos e outros primatas perderam há milhões de anos e cuja ausência pode implicar no desenvolvimento da Gota (doença causada pelo excesso de ácido úrico no sangue), abrindo caminho para novos tratamentos.
Para a sociedade, os benefícios incluem a preservação da biodiversidade e novas ferramentas para enfrentar as mudanças climáticas. A organização Revive & Restore está tentando ajudar o furão-de-pés-pretos ameaçado clonando novos furões de células congeladas há décadas, dando à espécie a chance de reproduzir com seus próprios parentes ressuscitados e aumentar a diversidade genética.
9. Codificação Generativa
Atualmente, assistentes de codificação com IA estão transformando radicalmente a forma como produzimos software. Ferramentas como Microsoft Copilot, Cursor, Lovable e Replit permitem que engenheiros de software profissionais e novatos produzam, testem, editem e depurem código com muito mais velocidade. A IA já escreve até 30% do código da Microsoft e mais de um quarto do código do Google. Até mesmo pessoas com pouco ou nenhum conhecimento de codificação conseguem criar aplicativos, jogos e sites impressionantes usando essas ferramentas.
Antes, o desenvolvimento de software era um processo lento e manual que exigia anos de formação e experiência. Programadores precisavam escrever cada linha de código manualmente, testar extensivamente e depurar erros de forma trabalhosa. O grande desafio era o tempo necessário para concluir projetos e a barreira de entrada alta para quem queria aprender a programar. Pessoas sem conhecimento técnico simplesmente não conseguiam criar suas próprias aplicações, dependendo totalmente de desenvolvedores profissionais.
Agora, a codificação generativa está democratizando o desenvolvimento de software e acelerando drasticamente a produção. Alguns praticantes estão adotando o “vibe coding”, método em que permitem que o software tome a liderança ao escrever código. Isso reduz significativamente o tempo necessário para concluir projetos e permite que mais pessoas participem da criação de tecnologia.
Para empresas, essa tendência representa ganhos enormes de produtividade e redução de custos no desenvolvimento de software. Projetos que antes levavam meses agora podem ser concluídos em semanas. Para a sociedade, os benefícios incluem a democratização da criação de tecnologia, permitindo que empreendedores e inovadores sem formação técnica transformem suas ideias em realidade.
No entanto, essa tecnologia traz desafios importantes. Como a IA pode gerar código incorreto ou inseguro, não há substituto para o conhecimento humano na revisão e validação das sugestões. Além disso, estamos começando a ver uma redução em empregos de nível inicial para programadores mais jovens, o que pode dificultar a formação da próxima geração de desenvolvedores experientes.
10. Estações Espaciais Comerciais
MIT sempre traz uma trend conectada a evolução comercial do espaço. O acesso ao espaço é, até então, exclusivamente controlado por governos através de agências espaciais nacionais como a NASA. A Estação Espacial Internacional (ISS), que representa essa era, está envelhecendo e deve ser trazida da órbita para o oceano em 2031. O grande desafio era o custo proibitivo e a falta de alternativas para pesquisa e exploração espacial. Sem opções comerciais, empresas e pesquisadores dependiam totalmente de programas governamentais, limitando drasticamente as oportunidades de inovação no espaço.
Para substituir a ISS, a NASA concedeu mais de US$ 500 milhões a várias empresas privadas. A Vast Space da Califórnia planeja lançar sua estação espacial Haven1 em maio de 2026 em um foguete Falcon 9 da SpaceX, apoiando inicialmente equipes de quatro pessoas por 10 dias. A Axiom Space planeja lançar sua Axiom Station em 2028, projetada para parecer um hotel boutique. A Voyager Space pretende lançar sua versão, Starlab, no mesmo ano, e a Orbital Reef da Blue Origin planeja seguir em 2030.
Temos sinais de um avanço sólido no comércio espacial. Para empresas de biotecnologia, farmacêuticas e materiais avançados, essa tendência representa uma oportunidade sem precedentes de conduzir pesquisas em microgravidade que podem levar a novos medicamentos, materiais mais resistentes e processos de manufatura inovadores.
Para a sociedade, os benefícios incluem a democratização do acesso ao espaço, avanços científicos acelerados e a possibilidade de turismo espacial. Embora o custo de uma estadia não tenha sido divulgado, espera-se preços de dezenas de milhões de dólares no início, que devem diminuir com o tempo. Essas estações espaciais podem ser o precursor de nossa vida além da órbita da Terra.
Espero que você tenha curtido meu resumo e comentário de cada trend. Eu confesso que tenho uma quedinha por inovações em Biotech e a evolução na edição de embriões foi a que mais me empolgou. Me conte aqui nos comentários qual delas mais te impressionou.
let’s keep moving,
Moovers - Imersão SXSW 2026
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Sou entusiasta em tecnologias disruptivas! Companheiros de IA é algo que me chama muita atenção e eu teria um com certeza.