Essa newsletter semanal é criada para assinantes da Moovers Learning Experience.
Escrita pela nossa Diretora Executiva, a futurista Monica Magalhaes, que compartilha insigths, reflexões e análise de tendências em tecnologias emergentes. Hello moovers! Monica Magalhaes por aqui 👋🏼
No meu meio de trabalho, percebo que o futurismo como campo ou o futurista como competência ainda é algo confuso e sem bordas definidas. De fora, ainda existe muito julgamento. O título soa pretensioso, vago, às vezes até charlatão. De dentro, também vejo pares em desconforto, que hesitam em se identificar como futuristas por falta de informação ou por medo de se expor a um escrutínio, já que o campo ainda não oferece solidez suficiente.
Futuristas e Foresighters tem diferentes papéis e responsabilidades e a newsletter de hoje tras esse tema que é um pedacinho do conteúdo do meu livro: 2075 — A Arte de se Mover no Tempo. Que trago em primeira mão aqui pra vocês.
Futuristas & Foresighters
A sociedade ainda carrega uma expectativa de diplomas e certificados para cada identidade, e esse ainda é um daqueles problemas estruturais que arrastamos do passado. O diploma sempre explicou quem você é, o que você sabe e qual é a sua autoridade. Ou seja, sempre foram marcadores sociais de credibilidade.
E, para não perder o hábito, vamos jogar a culpa no mundo moderno. Max Weber ajuda a explicar de onde vem essa obsessão por diplomas: a modernidade se organiza por especialização, credenciais e profissões formais, porque é assim que o Estado e as organizações conseguem distribuir autoridade, definir responsabilidades e reconhecer competência.
Mas nem sempre foi assim. Antes disso, as identidades eram mais fluidas e menos “carimbadas” por instituições: alguém podia ser filósofo, pensador, explorador ou inventor sem que isso fosse uma profissão formal, e isso era, inclusive, muito admirado.
No meu meio, percebo que o futurismo como campo ou o futurista como competência ainda é algo confuso e sem bordas definidas. De fora, ainda existe muito julgamento. O título soa pretensioso, vago, às vezes até charlatão. De dentro, também vejo pares em desconforto, que hesitam em se identificar como futuristas por falta de informação ou por medo de se expor a um escrutínio, já que o campo ainda não oferece solidez suficiente.
Essa é uma fricção que existe há anos. Neste trecho do clássico The Art of Conjecture, um dos fundadores do conceito de futurismo, o francês Bertrand de Jouvenel inicia seu livro, escrito em 1967, respondendo às mesmas objeções décadas atrás. O que nos mostra que o campo até evoluiu em ferramentas, mas a resistência social permanece a mesma.
Avançando para os conceitos, me parece simples o entendimento de que futurista não é uma profissão, uma vez que não existe formação acadêmica e nem vagas de emprego para futuristas. Houve tentativas isoladas nesses espaços ao longo das últimas décadas, mas nada se consolidou, e ainda bem, porque, na minha opinião, isso é algo que não faria sentido.
Esse texto é a expressão do meu conceito e compreensão do que é o papel do futurista e, principalmente, qual a diferença entre ele e o foresighter — seu par mais próximo, e que, muitas vezes, tem atividades combinadas.
Futuristas vs. Foresighters
Parece a mesma coisa, mas não é. Embora compartilhem a mesma matéria-prima de trabalho, o futuro, eles têm funções, ferramentas e operam em terrenos diferentes.
Se pensarmos na atividade de mapeamento de tendências e construção de cenários, o trabalho do foresighter gera mais valor para as empresas do que o futurista. A profissão é mais estruturada, com diversas formações e especializações. O foresight utiliza metodologias para mapear o futuro e apoiar decisões estratégicas dentro de organizações. Em vez de depender de imagens ou visões amplas do futuro, a prática se apoia em ferramentas como scenario planning, matrizes de decisão, análise de tendências, sinais e modelos de feedback, entre outras tantas. Tudo isso ajuda a transformar movimentos e conceitos em ações concretas, o que faz muito sentido e dá muita segurança para quem precisa mensurar resultados.
O foresight se conecta perfeitamente ao interesse das empresas de olhar para o futuro para tomar decisões com base em análises pragmáticas e mais seguras. Quando observamos o portfólio de métodos disponíveis, vemos que eles são especialmente úteis para horizontes de curto e médio prazo, onde temos um terreno vasto de informações que torna possível capturar e interpretar sinais com mais clareza — ou seja, muito mais aplicável.
Cenários validam. Imagens guiam o caminho.
Já o futurista é aquele que naturalmente tem profundidade em alguma área e que se especializa em pensamentos e movimentos de fronteira dentro desse mesmo tema. Ou seja, tem repertório de passado, presente e futuro.
No meu caso, por exemplo, meu território é em tecnologia. Tenho um passado de 25 anos de carreira, sou apaixonada por tech trends, acompanho pesquisas científicas em áreas tecnológicas e estudos gerados por acadêmicos. Um pé no passado que me dá profundidade, um no presente que me dá repertório e um no futuro que me permite ampliar a visão.
Quando você tem bagagem e estuda o progresso de uma determinada área, seja meio ambiente, geopolítica, trabalho, educação ou qualquer outra, você provavelmente tem competências de futurista. Você tem opinião fundamentada, cria hipóteses sobre impactos das mudanças. Esse know-how te permite conectar sinais e imaginar as implicações desses temas dentro da sociedade.
O futurista é uma competência, assim como o estrategista.
A depender do repertório, alguns conseguem ser mais profundos, outros mais amplos, e aí vão surgindo as diferenças e os rótulos na identidade. Mas o que todos têm em comum é o papel e a responsabilidade de trazer para a sociedade debates importantes sobre o futuro coletivo. Essa é, na minha opinião, o principal valor do futurista, e ele não é para as empresas, é para o cidadão e para os governos.
Se o foresighter é quem gera mais valor para o H1 e H2, ninguém navega tão bem o longo prazo quanto um bom futurista. Pelo simples fato de que o H3 é um lugar com pouquíssima referência e sinais. Qualquer métrica, metodologia ou ferramenta é pouco aplicável e tem resultado fraco para descrever o mundo em 2075 por exemplo. Na construção de um cenário para um futuro distante, não dá para falar de produtos e serviços que vão existir daqui a cinquenta anos, qualquer tentativa de fazê-lo geraria um suicídio ideológico.
O futurista que carrega o potencial para construção dessas imagens possui uma combinação de skills de conhecimento profundo com repertório amplo. Conhecimento técnico e filosófico. Isso resulta numa capacidade de fazer projeções sobre evolução tecnológica, novas estruturas sociais, governamentais e comportamentais. Ou seja, é muito mais sobre o interesse coletivo. E essas são camadas de debate necessárias para o progresso e evolução da sociedade.
O Foresighter é sem sombra de dúvidas um profissional de maior valor para as empresas, é mais fácil para o foresighter construir sua identidade, uma vez que apresentar dados que validam ideias exige menor construção de argumentos. Já o futurista precisa ter coragem para criar hipóteses e submetê-las ao escrutínio público. Mas, se você tem todo esse potencial e não usa para gerar debate, você vale pouco para a sociedade.
Isso não quer dizer que o foresighter não possa ser futurista e que o futurista não possa ser foresighter. Para construir cenários de longo prazo, o futurista se apropria de algumas ferramentas do foresight, principalmente para captura de sinais. Mas o horizonte e o output final precisam ser outros e terem bordas mais definidas.
O erro comum acontece quando essas funções se misturam. Se o futurista tentar organizar seu trabalho na forma de dados e ações mensuráveis, parte da sua força se dilui. Sua narrativa se torna frágil se comparada ao resultado que pode ser entregue pelo foresight estratégico e acaba massacrada por falta de método e resultados pragmáticos.
Se o foresighter tentar aplicar seus métodos no design de cenários de longo prazo ou criar narrativas de provocação, ele perde credibilidade por não conseguir matéria-prima suficiente para validar suas hipóteses, o que irá resultar em cenários fracos.
São papéis complementares, não concorrentes.
O papel do futurista muitas vezes é criar linguagem para aquilo que ainda não foi totalmente compreendido, e isso ajuda a sociedade a ver antes de agir. Ajuda a construir imagens de futuro que acabam guiando a forma como governos e empresas decidem coisas.
Empresas constroem cenários para ganhar mercado. Governos constroem cenários para evitar crises. Pessoas precisam de imagens de futuro para não perderem a si mesmas durante a transição.
Todo trabalho de análise e construção de prospectivas é extremamente necessário para o progresso. Eu desejo um mundo cheio de gente competente falando sobre futuro.
Pessoas que geram valor para a sociedade através do seu conhecimento.
let’s keep moving,
Moovers - Journey China 2026
Sua próxima aventura será na China \o/
É com muito orgulho que desenhamos uma das melhores imersões de brasileiros para a China.
Nossa viagem irá atravessar todo o páis. Passaremos por Pequim, Hangzhou, Xangai e Shenzhen.
Serão 10 dias conectando tecnologia, cultura, comércio, energia e pensamento de longo prazo, uma masterclass ao vivo de futuro!
Na nossa curadoria iremos ouvir especialistas em China, vamos visitar Empresas, Cidades, e claro, a Grande Muralha. Sempre com muitas conversas e uma leitura profunda para compreender como a China pensa e constrói o futuro.
Venha fazer parte dessa turma!
Clique no link e receba o material completo da imersão.






