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[Foresight Track] Cone do Tempo

O poder de imaginar múltiplos futuros - Trilha Foresight Aula 02/06

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Monica Magalhaes
mai 15, 2026
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A segunda aula da trilha Foresight expandiu a visão estratégica para além da linearidade, consolidando o Cone de Futuros como a ferramenta central para navegar na incerteza e mapear múltiplos horizontes de possibilidade.


1. Introdução: O Futuro como Campo de Possibilidades

A segunda sessão da trilha de Foresight da Moovers rompe com a lógica industrial do pensamento linear, que enxerga o tempo como uma linha reta e previsível. O Cone de Futuros é apresentado não apenas como um gráfico, mas como uma arquitetura epistemológica e um dispositivo cognitivo desenhado para expandir a imaginação estratégica e ajudar a navegar na complexidade e incerteza do mundo contemporâneo.

Diferente da previsão tradicional, o Foresight não busca “acertar” uma profecia, mas sim ampliar a capacidade humana de perceber múltiplos futuros coexistentes e bifurcações sistêmicas.

2. Genealogia e Estrutura: Os 7 Ps do Cone

Embora tenha raízes na década de 60 e 70, o modelo atual foi amplamente sistematizado por Joseph Voros. O framework organiza o conhecimento em camadas — comparadas a “bonecas russas” (matrioskas) — onde cada nível de possibilidade está contido no próximo.

Durante a aula, foram detalhadas as sete dimensões (7 Ps) que compõem o cone expandido:

  • Projetado (Projected): O futuro “padrão”, baseado na extrapolação linear do presente. É considerado o mais perigoso por ignorar rupturas.

  • Provável (Probable): O que tende a acontecer com base em tendências fortes e dados atuais, embora não seja inevitável.

  • Plausível (Plausible): Cenários que fazem sentido dentro da lógica sistêmica e do conhecimento científico atual.

  • Possível (Possible): O campo que exige descobertas futuras, mas não viola as leis fundamentais da natureza.

  • Absurdo (Preposterous): Eventos ridicularizados no presente, mas que desafiam limitações cognitivas (ex: a ida à Lua).

  • Potencial (Potential): A camada mais ampla, que reconhece nossa incapacidade humana de imaginar o radicalmente novo e o inconcebível.

  • Preferível (Preferable): A camada política e ética; foca no futuro que a sociedade deseja e deve construir.

3. Aplicações Práticas: Da IA à Colonização de Marte

Para ilustrar a versatilidade da ferramenta, foram aplicados exercícios práticos em três eixos distintos:

Inteligência Artificial

O futuro projetado foca em eficiência e redução de custos através de copilotos. O plausível vislumbra organizações híbridas de humanos e IA (”AI Pods”). No campo preferível, a IA serviria para liberar tempo humano para criatividade e lazer, alinhada a valores éticos.

Colonização de Marte

Enquanto o futuro projetado prevê apenas exploração científica em 10 anos, o plausível aponta para colônias autossustentáveis e o absurdo sugere o surgimento de uma cultura marciana própria.

Combate ao Câncer

A aplicação evolui de tratamentos melhores (projetado) para medicamentos personalizados via DNA (plausível) e a redefinição do envelhecimento celular (potencial).

4. O Papel dos Vieses e da Diversidade

Um ponto crítico do debate foi a percepção de que o Cone de Futuros não é neutro. Ele é influenciado pelo viés humano e pela imaginação limitada. Monica Magalhaes destacou que a transparência sobre as “lentes” utilizadas é a melhor forma de neutralizar esses vieses. Além disso, Max Nolan enfatizou que a construção de futuros preferíveis exige a inclusão de diversidade (gênero, raça e classe) para que o amanhã não seja apenas o reflexo da visão de grupos dominantes.

5. Conclusão: Agir no Agora

A verdadeira função do Foresight não é prever o que vai acontecer, mas expandir a consciência temporal para tomar decisões melhores hoje. O presente é o ponto mais importante do Cone, pois é onde as narrativas são criadas, os investimentos ocorrem e o futuro é continuamente negociado e disputado.

O futuro não é um destino estático ao qual chegaremos passivamente; é um espaço de possibilidades em disputa. Ao utilizarmos o Cone, deixamos de ser espectadores do tempo para nos tornarmos arquitetos de futuros desejáveis, sempre guiados pela pergunta fundamental: “Que futuros estamos ajudando a tornar possíveis?”.


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